Quarta-feira, Julho 01, 2009
São Paulo quente
Um certo moço passou um tempo flertando com a paulicéia, mas seus caminhos cruzam um outro tipo de glamour, o de uma São Paulo nordestina, que encanta a cada dia com seus balcões de padarias, de sotaques pernambucano, baiano, alagoano, paraibano... O sotaque paulista, este é para outros, é concentrado... a São Paulo pela qual circulou esse moço é a periferia da periferia, é Carapicuíba, é Osasco, é mais de trem que de metrô. O moço andou por uma São Paulo do trabalho, Trabalho com T maiúsculo, a dos porteiros, dos pedreiros, das faxineiras e das domésticas, dos ajudantes de cozinha... Por vezes desfilou seu olhar pelo centro, de africanos e chineses, os últimos dominando o comércio ilegal das coisas eletrônicas, os primeiros, pelo que dizem, andam dominando o comércio ilegal das coisas outras, aquelas de distrair pensamentos, de entorpecer sentimentos....a paulicéia do moço é aquela que sempre quer voltar pra algum lugar, mas que se voltar vai sempre dizer que é de São Paulo, pois é paulista quem trabalha, trabalho definidor de identidade, pouco viu o tal moço, os grandes engarrafamentos, nem se viu em meio a tiros, a tal "violência". A São Paulo que viu dança um forrózinho dengoso, em butecos pouco vistosos e de intensos sentimentos, se distraem felizes da vida, esses Trabalhadores (as), com o forró fulero, brahma, cachaça barata e o papo animado, parece não ter muito estresse esses paulistas do nordeste, dormem no trem, calejam o corpo e dançam nas casas de forró, essa São Paulo, que o moço vê glamour, não deve agradar muito aos olhos doutros doutos. Mas encanta mesmo ao moço, coisa boa ele sente ao ver pipa taiando no céu, bem azul por sinal, chega até a lhe apertar uma lágrima quando vê os pivetes correndo de olho no alto. De vê essa juventude desfilar pelas ruas a exibirem seus corpos aos seus, olhar de quem sabe onde anda não escolhe gênero, ta em todos(as), barulho de moto a mil...essa São Paulo é de outros gostos, do tal charme paulistano tão cantado viu pouco... que se encante com charmes outros esse moço é estranho, mas ele acha que essa São Paulo é mais quente, como Velho Barrero em buteco de quinta.
Terça-feira, Junho 16, 2009
sorriso
Quarta-feira, Fevereiro 13, 2008
triste olhar
Essa tristeza no seu olhar me encanta, diz ela. Deveria ser bom pra mim? Pensa ele. Pois é, deveria gostar de seu semblante, deve ter algo de elegante, talvez cool deva ser. Pensa ele. Pois bem. Volta embaixo do sol ao meio dia, sua maquiagem se desmancha entre o sono e a frustração. Ele deve estar acordando. Pensa ela. E ele olha a paisagem, pensando que elegante não é, porém o olhar de tristeza aceita de mal grado. Não queria não. Ter olhos assim. Nem queria tal mal sentir. Mal será? Pensa ele. É! É truncado assim o seu pensar. Mas dúvidas tem. Se teu olhar tristeza transmite. Mas se assim o faz, deve ser que tal mal lhe pertence. Mal de tristeza, de moço pouco contente. Será que assim toda noite dorme tal moço? Será que lhe diverte certos encontros? Encontros de bar? De lar? De mar? Será que sabe, afinal, se bem ou mal está? Dúvidas deve ter. Deve pensar ao tomar o seu café e o cigarro fumar, se assim quer continuar a passar. Se deve mesmo viver a esperar os seus olhos um dia virem a brilhar. Tem certas certezas acredito. Que de olhos brilhantes nunca vai ficar. Que de vida boa, já começa a desconfiar. Que de letras deve estar a cansar. Que amor, que esse tem endereço e lugar. Mas que longe permanece. Tal moço aos poucos convalesce, dança com suas fantasias. Se diverte quando só, mas triste continua a ficar. Ensaia passinhos no apertado quarto. Brinca de cientista. Lamenta a angústia de ser essa a vida. Olhos tristes? Pergunta-se o moço. Pois deveria sorrir? Insiste em perguntar-se.
Segunda-feira, Janeiro 28, 2008
Em busca do tabaco
Em busca do tabaco
(Trechos de uma narrativa feita em Shuimïwei, comunidade Yanomami)
Graças a Kuripowë, conhecemos o tabaco...
...
— Estou ansioso, ansioso. Sinto uma necessidade que me deixa insensível a qualquer outra sensação — afirmava a voz que se aproximava.
...
— Estou ansioso, sinto uma ansiedade tão forte — seguia Kuripowë sem se interromper.
...
— Não é minha intenção encher-lhes o saco, só me queixo por sentir-me ansioso. Estou sentindo uma necessidade de algo, só por isso espalho esta queixa por toda parte.
...
— Vá transar com as mulheres, fazer-lhes crianças. Elas foram pra lá.
...
— Por que se queixa? Está de luto? Acham-se reunidos por causa de uma morte?
— Não. Queixo-me porque algo me falta, queixo-me porque sinto uma falta muito profunda.
...
— Quem é você?
— Sou eu, e estou me lamentando. Sou eu.
— Está de luto para se lamentar desse modo?
— Não. Estou me lamentando sem razão.
— As mulheres estão por aí, transe com elas, faça-lhes crianças.
— Não, estou falando sem razão. Estou atormentado por uma necessidade — acrescentou.
Finalmente, chegou até aquele que realmente tinha saber. Também ele achava-se em cima de uma árvore.
— Qual é a razão para estar se lamentando?
— Não há uma razão precisa. Falta-me algo. Sinto uma terrível falta e carrego meu lamento. Quebre um galho, cunhado, acrescentou, quebre um galho e deixe-o cair. Estou com fome.
...
Comeu o invólucro das sementes [do fruto pahi]. Ninguém lhe prestava atenção.
— Cunhado, deixo-lhe as sementes aqui.
Urinou em cima, e depois acrescentou:
Estão aqui, cunhado. Cozinhe-as e retire-as da água ainda quentes, e ponha na boca ainda quentes.
— Sim! Mas o que estava dizendo quando chegou?
— Estava me lamentando que algo me fazia falta.
— Veja aí, está perto de você, tem uma faca de pedra no chão, sobre o cabo tem uma masca de tabaco.
...
Queria provavelmente propagar o tabaco; em todos os lugares onde cuspiu o suco da masca, cresceu um pé de tabaco. A planta se elevou imediatamente e começou a florescer, os beija-flores chegaram para sugar. Foram estas as marcas que Kuripowë deixou em seu trajeto; foi graças a ele que o tabaco se propagou.
Ayë! ayë! ayê! — foram as exclamações do herói em narração registrada na comunidade Karohi. “Foi Nosiriwë — diz essa versão — quem propagou o tabaco por toda parte. Foi Cuchicuchi quem o descobriu”.
Esta é uma tradução de AmaZone de “En busca del tabaco (II)”, In Yanomami. Los pueblos indios en sus mitos Nº 4, pp. 68-70, de Jacques Lizot, Luis Coco & Juan Finkers (Abya-Yala, 1993). O mito pertence ao conjunto compilado por Lizot.
Sobre ansiedade considerada análoga por este mito Yanomami, uma menina Plêiades do Alto Rio Negro assim se exprimiu:
“Mamãe, sofro de um certo mal, que me dá uma vontade que não sei explicar”.
“O que você sente?”
“Quando meu mal começa, é uma coceira, uma mal-estar que dói e não dói, corre-me depois pelo corpo todo e me dá uma vontade de me morder todinha, e no fim sinto que vou desmaiar e choro. Quando durmo vejo sempre do lado de minha rede uma porção de jovens bonitos que querem me beijar, querem me abraçar e eu não consigo fugir”.
“Lenda de Jurupari”, de Maximiano José Roberto/Stradelli, p. 303-304, In Makunaíma e Jurupari, Sérgio Medeiros (org.). Perspectiva, 2002. (Trad.: Aurora. F. Bernardini)
(Trechos de uma narrativa feita em Shuimïwei, comunidade Yanomami)
Graças a Kuripowë, conhecemos o tabaco...
...
— Estou ansioso, ansioso. Sinto uma necessidade que me deixa insensível a qualquer outra sensação — afirmava a voz que se aproximava.
...
— Estou ansioso, sinto uma ansiedade tão forte — seguia Kuripowë sem se interromper.
...
— Não é minha intenção encher-lhes o saco, só me queixo por sentir-me ansioso. Estou sentindo uma necessidade de algo, só por isso espalho esta queixa por toda parte.
...
— Vá transar com as mulheres, fazer-lhes crianças. Elas foram pra lá.
...
— Por que se queixa? Está de luto? Acham-se reunidos por causa de uma morte?
— Não. Queixo-me porque algo me falta, queixo-me porque sinto uma falta muito profunda.
...
— Quem é você?
— Sou eu, e estou me lamentando. Sou eu.
— Está de luto para se lamentar desse modo?
— Não. Estou me lamentando sem razão.
— As mulheres estão por aí, transe com elas, faça-lhes crianças.
— Não, estou falando sem razão. Estou atormentado por uma necessidade — acrescentou.
Finalmente, chegou até aquele que realmente tinha saber. Também ele achava-se em cima de uma árvore.
— Qual é a razão para estar se lamentando?
— Não há uma razão precisa. Falta-me algo. Sinto uma terrível falta e carrego meu lamento. Quebre um galho, cunhado, acrescentou, quebre um galho e deixe-o cair. Estou com fome.
...
Comeu o invólucro das sementes [do fruto pahi]. Ninguém lhe prestava atenção.
— Cunhado, deixo-lhe as sementes aqui.
Urinou em cima, e depois acrescentou:
Estão aqui, cunhado. Cozinhe-as e retire-as da água ainda quentes, e ponha na boca ainda quentes.
— Sim! Mas o que estava dizendo quando chegou?
— Estava me lamentando que algo me fazia falta.
— Veja aí, está perto de você, tem uma faca de pedra no chão, sobre o cabo tem uma masca de tabaco.
...
Queria provavelmente propagar o tabaco; em todos os lugares onde cuspiu o suco da masca, cresceu um pé de tabaco. A planta se elevou imediatamente e começou a florescer, os beija-flores chegaram para sugar. Foram estas as marcas que Kuripowë deixou em seu trajeto; foi graças a ele que o tabaco se propagou.
Ayë! ayë! ayê! — foram as exclamações do herói em narração registrada na comunidade Karohi. “Foi Nosiriwë — diz essa versão — quem propagou o tabaco por toda parte. Foi Cuchicuchi quem o descobriu”.
Esta é uma tradução de AmaZone de “En busca del tabaco (II)”, In Yanomami. Los pueblos indios en sus mitos Nº 4, pp. 68-70, de Jacques Lizot, Luis Coco & Juan Finkers (Abya-Yala, 1993). O mito pertence ao conjunto compilado por Lizot.
Sobre ansiedade considerada análoga por este mito Yanomami, uma menina Plêiades do Alto Rio Negro assim se exprimiu:
“Mamãe, sofro de um certo mal, que me dá uma vontade que não sei explicar”.
“O que você sente?”
“Quando meu mal começa, é uma coceira, uma mal-estar que dói e não dói, corre-me depois pelo corpo todo e me dá uma vontade de me morder todinha, e no fim sinto que vou desmaiar e choro. Quando durmo vejo sempre do lado de minha rede uma porção de jovens bonitos que querem me beijar, querem me abraçar e eu não consigo fugir”.
“Lenda de Jurupari”, de Maximiano José Roberto/Stradelli, p. 303-304, In Makunaíma e Jurupari, Sérgio Medeiros (org.). Perspectiva, 2002. (Trad.: Aurora. F. Bernardini)
Sábado, Agosto 25, 2007
Sexta-feira, Agosto 24, 2007
aquele nós.
Velas se espalham pelo cabeliasbar, é difícil abandonar o luto. A tristeza se vai e se esconde entre sorrisos e diversões, mas logo da o ar de sua graça e empurra uma lágrima sempre acompanhada de um nó na garganta. Nós estamos assim por esses dias, nós jogadores de tosco pong de tempos de rebordosa. Nós de tempos de café e marcados no caderninho do seu Heleno. Nós que planejávamos a anarquia, nós que ficamos aqui nos lendo e lendo marginais. Nós que tanto celebramos nossa hóstia cachaça, nosso pano verde na sinuca do Jota. Nós que nunca mais nos veremos todos os dias. Outros se foram pra nunca mais serem visto, para nunca mais serem esquecidos. Eu quero dizer que amo esse nós, e quando eu for quero um brinde dos amigos, um brinde de seleta, um brinde de antártica, que seja um brinde de 51 com limão. Quero uma noite de dança e birita, de promiscua alegria, quero uma mesa de tosco pong. To com uma saudade tremenda daquelas tardes de vadiagem produtiva, das garotas de Letras tão belamente desconhecidas, de sempre ver uma face amiga se aproximando, sorrindo ou reclamando daquele marxista. Ai meus queridos, quanto falta me faz esse nós.
Segunda-feira, Agosto 20, 2007
tosco pong
ping pong...tac ....tac......tac ...............tac... A bolinha muito leve. Ele a lança para o alto, seus olhos fixos na esferinha branca enquanto as mãos se movimentam. O corpo já sabe o tempo da bola, a força e a direção já circulam na cabeça do rapaz, mas a decisão da jogada, essa só vai ser tomada no exato momento de bater. Um rápido movimento com a raquete, ele bate raspando pra fora, a bola vai vir com muito efeito. Se nem ele ainda sabe como vai bnater, imagine se eu ia saber de que lado vem, como vem, com que força, só me resta esperar. Fixo meu olhar na raquete pra ver o exato momento que a bolinha vai ser disparada.
A bola parte, com meia força, ele bate no meu lado direito raspando a raquete pra fora o efeito produzido vai levar a bola mais pra direita ainda. É um grande saque. Eu gosto quando a bola vem na minha direita porque sou destro, se bem que quando ela vem na esquerda eu sou obrigado a defender num lance mais curto, tenho que ir ao encontro da bola logo após ela bater no meu lado da mesa o que acaba sendo bom também, porque devolve a bola bem rápido. Já no saque que eu vou defender eu tenho que esperar mais a bola, então esse vai ser um jogo de bolas longas. Um jogo com uma cara de clássicos dos anos 60, um jogo em preto e branco.
No seu último e quase único pensamento você percebe se vai ter como defender, no mesmo instante tem que decidir e escolher como vai bater. A mesa de maderite tornava o efeito da bolinha ainda maior. Estico meu braço e o corpo todo vai pra direita, rebato a bola reto na paralela mas vai pra fora. Tive que bater forte pra tentar tirar o efeito, poderia ter batido raspando pra direita também, mas nesse momento você não pode querer escolher muito, tem que pensar uma coisa e bater. Foi um grande saque.
Um a zero em um jogo que não tem um fim determinado, quando chegar um próximo jogador o placar zera. Ele saca novamente, o mesmo saque. Defendo com o mesmo movimento que ele fez, jogando a bola no canto dele, uma bola cruzada clássica, ele rebate, exatamente da mesma maneira, ta me convidando pra rebater um pouco, ta me convidando pra uma conversa, então seguramos o jogo esperando o primeiro improviso, uma hora alguém vai quebrar a seqüência e tentar marcar o ponto.
É um jogo disputado como sempre. Conhecemos bem o jogo um do outro, chega um momento que esquecemos do placar. Conforme as nossas regras se ninguém sabe o placar o jogo volta pra dois a dois, e não era nem um pouco raro esquecermos o placar. Então vamos pra dois a dois e decidimos fazer uma partida de 21. Se chegar em 20 a 20, sobe pra 22, 21 a 21 sobe pra 23...
As vezes a partida pode ser interrompida por um longo ou curto tempo. Para um cigarro. Para uma conversa. Por exemplo, você pega a bola para sacar, dae você joga ela para cima preparando o saqueci, então você acaba lembrando de algo que queria falar, então segura a bolinha e comenta. Ou então pede o isqueiro e acende um cigarro, da uns tragos, repousa o cigarro no cinzeiro ao lado da mesa e saca, a bola para e volta a apanhar o cigarro, ou pasa o cigarro pro companheiro. Lembra de uma outra coisa que queria falar...
Enfim, o jogo era só um pretesto pra uma conversa, como convidar um amigo para um café ou para uma cerveja. Ali podíamos ter planejado uma revolução, entre um saque e outro, na verdade o que faziamos ali era uma pequena revolução diária. Grandes momentos tivemos ali, grande idéias, vivemos grandes pequenas coisas ao som do tac...tac da bolinha branca.
Para um bom jogo o ideal é uma bolinha leve, uma maderite apoiada num cavalete como mesa, boas raquetes coloridas, e prestar atenção no barulho da bolinha ao bater na mesa, pode te dizer muito esse barulho, tac tac tac tac....O bom mesmo é que você jogue com grandes amigos, desses que voc~e vai lembrar pra sempre, desses que voc~e vai guardar só as boas coisas, desses que mudam o mundo todos os dias.
Queria fazer uma homenagem ao Rodrigo, grande amigo que nos deixou. Eu adorava jogar ping pong com Rodrigo um cara que vai fazer muita falta não só para a família, para os amigos mas também para o mundo, porque ele queria mudar as coisas. Perdemos uma grande pessoa, hoje rezei, coisa que a muito não fazia.
A bola parte, com meia força, ele bate no meu lado direito raspando a raquete pra fora o efeito produzido vai levar a bola mais pra direita ainda. É um grande saque. Eu gosto quando a bola vem na minha direita porque sou destro, se bem que quando ela vem na esquerda eu sou obrigado a defender num lance mais curto, tenho que ir ao encontro da bola logo após ela bater no meu lado da mesa o que acaba sendo bom também, porque devolve a bola bem rápido. Já no saque que eu vou defender eu tenho que esperar mais a bola, então esse vai ser um jogo de bolas longas. Um jogo com uma cara de clássicos dos anos 60, um jogo em preto e branco.
No seu último e quase único pensamento você percebe se vai ter como defender, no mesmo instante tem que decidir e escolher como vai bater. A mesa de maderite tornava o efeito da bolinha ainda maior. Estico meu braço e o corpo todo vai pra direita, rebato a bola reto na paralela mas vai pra fora. Tive que bater forte pra tentar tirar o efeito, poderia ter batido raspando pra direita também, mas nesse momento você não pode querer escolher muito, tem que pensar uma coisa e bater. Foi um grande saque.
Um a zero em um jogo que não tem um fim determinado, quando chegar um próximo jogador o placar zera. Ele saca novamente, o mesmo saque. Defendo com o mesmo movimento que ele fez, jogando a bola no canto dele, uma bola cruzada clássica, ele rebate, exatamente da mesma maneira, ta me convidando pra rebater um pouco, ta me convidando pra uma conversa, então seguramos o jogo esperando o primeiro improviso, uma hora alguém vai quebrar a seqüência e tentar marcar o ponto.
É um jogo disputado como sempre. Conhecemos bem o jogo um do outro, chega um momento que esquecemos do placar. Conforme as nossas regras se ninguém sabe o placar o jogo volta pra dois a dois, e não era nem um pouco raro esquecermos o placar. Então vamos pra dois a dois e decidimos fazer uma partida de 21. Se chegar em 20 a 20, sobe pra 22, 21 a 21 sobe pra 23...
As vezes a partida pode ser interrompida por um longo ou curto tempo. Para um cigarro. Para uma conversa. Por exemplo, você pega a bola para sacar, dae você joga ela para cima preparando o saqueci, então você acaba lembrando de algo que queria falar, então segura a bolinha e comenta. Ou então pede o isqueiro e acende um cigarro, da uns tragos, repousa o cigarro no cinzeiro ao lado da mesa e saca, a bola para e volta a apanhar o cigarro, ou pasa o cigarro pro companheiro. Lembra de uma outra coisa que queria falar...
Enfim, o jogo era só um pretesto pra uma conversa, como convidar um amigo para um café ou para uma cerveja. Ali podíamos ter planejado uma revolução, entre um saque e outro, na verdade o que faziamos ali era uma pequena revolução diária. Grandes momentos tivemos ali, grande idéias, vivemos grandes pequenas coisas ao som do tac...tac da bolinha branca.
Para um bom jogo o ideal é uma bolinha leve, uma maderite apoiada num cavalete como mesa, boas raquetes coloridas, e prestar atenção no barulho da bolinha ao bater na mesa, pode te dizer muito esse barulho, tac tac tac tac....O bom mesmo é que você jogue com grandes amigos, desses que voc~e vai lembrar pra sempre, desses que voc~e vai guardar só as boas coisas, desses que mudam o mundo todos os dias.
Queria fazer uma homenagem ao Rodrigo, grande amigo que nos deixou. Eu adorava jogar ping pong com Rodrigo um cara que vai fazer muita falta não só para a família, para os amigos mas também para o mundo, porque ele queria mudar as coisas. Perdemos uma grande pessoa, hoje rezei, coisa que a muito não fazia.
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